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exposição duo com Célia Ribeiro, na Galeria Homero Massena, Vitória (Espírito Santo), em 2021. Produzida com recurso do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura). 

texto por Karenn Amorim, curadora

corpos entre tempos reúne trabalhos de Bárbara Bragato e Célia Ribeiro. O diálogo estabelecido entre as duas é marcado pela diferença de quarenta e um anos de idade, o que constrói diferenças subjetivas e declara o que está no entre tempos, tendo como ponto de partida seus próprios corpos. 

 

É através do nosso corpo que ocupamos fisicamente o mundo e experimentamos a vida cotidianamente. No entanto, em um tempo em que a possibilidade do contato físico ficou suspensa, colocada em um plano futuro, sentimos as limitações das formas alternativas de manutenção do afeto. Por isso, as imagens organizadas nesta exposição são, em parte, registros dessa impossibilidade do encontro. Foi necessãrio admitir as telas do computador e do celular como espaços possíveis para essa relação. Assim, cada gesto apreendido se tornava um indício de resistência diante da sensação de desamparo provocada pelo distanciamento físico. 

 

À sua maneira, cada uma das artistas estabeleceu formas de lidar com esse distanciamento, encontrando nas interações através da tela sinais da experiência da outra no mundo. A tela, então, passou a ser onde duas mulheres, apesar das circunstâncias, exercitavam a alteridade. As imagens produzidas durante esse processo transitam entre representações de momentos que demonstram a resistência e a vontade de viver, situações de exercícios íntimos de experimentação da liberdade e registros de interações cotidianas e corriqueiras. 

 

A partir dessa experiência de interação e descoberta de si através da outra, a disposição das imagens no espaço expográfico tenta fazer referência a essa relação baseada em intimidade e empatia, revelando, de forma sensível, os mínimos sinais da insistência em não se deixar abater. 

 

Abraçar-se a uma rocha ou mover-se livremente pela sala foram, entre tantas outras, tentativas de manter-se firme. 

praticamente todas as fotografias que fiz de Célia foram a partir de encontros via Zoom, gravados desde novembro de 2020, quando começamos a nos reunir junto a Karenn Amorim, curadora, e Bruna Afonso, arte-educadora. se vivemos um momento de imagens efêmeras, que se perdem em meio ao excesso de informação, se não fosse pelo arquivo, neste momento, estas fotografias não existiriam. para achá-las, foi necessário resgatá-las. 

 

e utilizo o achar aqui não ao acaso. compreendo que as fotos de Célia não foram feitas, ou "tiradas", porém encontradas. a cada gravação assistida e reassistida, procurava suas faces, seus gestos, suas repetições. ampliava até encontrar pixels de uma imagem quase sem informação. percebi ali que existia um mundo a ser percorrido, e não precisava me deslocar para encontrá-lo. um mundo que exigia atenção, calma e espera, como o contrário do que eu imaginava de um cenário calcado no digital. 

trecho do catálogo da exposição

"lhe mando o retrato que mais gosto, mas exijo troca. gosto mais porque marca no meu rosto os caminhos do sofrimento, você repare, cara vincada, não de rugas ainda, mas de caminhos, de ruas, praças, como uma cidade"

Correspondência: Mário de Andrade & Newton Freitas. v. 6. São Paulo

Vídeo com imagens feitas com super 8, câmera digital, câmera analógica pequeno formato, vídeos e prints do celular.

 

processos

Ficha técnica

Curadoria Karenn Amorim 

Arte-educação Bruna Afonso 

Produção Bruna Afonso 

Design Caterina Bloise 

Expografia e iluminação Flora Gurgel 

Montagem Juliana Almeida 

Assessoria de imprensa Julia Casotti, Purpurina comunicação e cultura 

 

Agradecimentos

Bruna Gomes Afonso

Caterina Bloise

Célia Ribeiro

Daniel Cabrel

Flora Gurgel

Gabriela Moriondo

Imagens de papel

Karenn Amorim

Marcela Mattos

Nicolas Soares 

Paloma Durante