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registros analógicos de uma travessia de 60 quilômetros entre morros e rios no interior da Bahia, quando me juntei com nove pessoas desconhecidas pra caminhar nessa Bahia que nunca entendi muito bem. 

nessa Bahia sem Guma, de Jorge, ou sem a Suíte dos Pescadores, de Caymmi; nessa Bahia em que não avisto o sol nascer no mar, que tem cheiro de água doce e umas pedras que me levam pro chão; Bahia que me mostrou que a única responsável por meu peso sou eu, e o mínimo que faço por mim é me carregar; que me fez compreender que uma pena pode pesar um quilo no final de um dia de subidas intermináveis; que me fez me encarar de frente, confrontar minhas sombras, e sentir que a força tá dentro de mim. e que a nossa cabeça pode fazer que um dia cheio de luz se torne uma tempestade raivosa; que me disse que tá tudo bem ser a última do grupo o tempo todo. vamos chegar no mesmo lugar; que viajar sendo uma das únicas mulheres no meio de oito homens é bem (bem!) diferente de ser mulher no meio de oito mulheres; que acampar no berço da cachoeira com risco de tromba d’água não é lá muito seguro e inteligente, mas pode te dar de presente o céu mais estrelado da sua vida; que estar sozinha não é estar só quando você tem a natureza ao seu lado. que sou finita. mas imensa, assim como ela. assim como a água que corre em mim. ou o vento que me embrulha e me faz ir além.

continuo sem entender como pisar em pedras. me dou melhor com a areia. vou ao fundo do mar mais agitado, mas ainda fico aflita com o morrinho mais inofensivo. se mergulho de cabeça na água salgada, na água doce ainda molho a barriga. e fico procurando no fundo um espacinho pra apoiar meu pé. mas tá tudo bem. abraço meu medo e vou.