escola de histórias

foi a palavra, a origem dessa história narrada em imagens. Palavras unidas em frases, versos, estrofes, parágrafos, prosas e todas as outras formas que guardam memórias em páginas de livros. A criação de uma biblioteca, em uma sala de aula escondida no final do corredor, foi o que suscitou todos os registros, instantes reduzidos em afeto. A palavra era o fim, e a fotografia o meio. Foram algumas mãos - ainda pequenas e sem muitos traços - que resgataram essas memórias, em histórias que estão lá, dentro do livro de cada um. 

 

Porém, qual o caminho percorrido para chegar até lá? Naquele país desconhecido mas já muito desvelado em imagens, o desejo de uma nova história a contar se torna quase um imperativo. E por que contar essas histórias? 

 

No processo de criação da biblioteca - esta, comandada sobretudo pelas palavras - a fotografia se fez necessária. Seria essa mais palpável que o texto? “O olho diz tudo”, alguém enunciou, e se alguém descrevesse, qual diferença faria? Ter uma câmera na mão traz uma responsabilidade, ainda mais naquele país onde outros tantos já pisaram. O que posso fazer ou contar com ela - a câmera - permanece sempre uma questão, até mesmo um medo. Entre um olho e outro, qual distância é essa que não posso medir?

 

Dizem por aí que a busca pelo o que é exterior faz entender o que há dentro, ou até mesmo que a coragem de fugir é o medo de ficar. Sendo esta uma verdade ou não, a experiência única de cada um traz aquilo que é genuíno, que existe apenas naquela fração de segundo. Está aí a fotografia, que não se repete e reproduz ao infinito essas muitas histórias que são recontadas. E entre o momento em que foi gerada e o momento de ser concebida, a dúvida é o que resta de mais valioso.