Intervalo contínuo mapeia o sonho pelas águas e a água pelos sonhos em uma travessia feita de barco, de Belém a Manaus, no final de 2019. Uma viagem de seis dias, num tempo em suspensão. Um estado de isolamento forçado em meio a outras tantas vidas desconhecidas, porém tão próximas. 

 

No interior da rede, onde corpos se atravessam, histórias são perpassadas, carregando um barco de sonhos dos quais poucos saberão. Sonhos de corpos em vigília mesmo quando adormecidos.

 

Quais são essas histórias que ficam guardadas na noite, quando o silêncio invade a água? Como traçar essas memórias que se vão com o rio, em meio ao corpo que fica? 

 

Tudo parece se dissipar nessa ida sem um fim delimitado, porém cheia de caminho. Em movimento, a água hipnotiza, deixando pra trás o presente que nunca existiu. As histórias desaparecem nesse trajeto impermanente, onde o norte se manifesta num fundo longe e nebuloso, como o pico da montanha que se ergue quando a nuvem se afasta. Nesse norte desorientado em que o corpo inquieto ansia avistar o chão.

 

Não se sabe quando, mas a terra firme, do lado de lá, aguarda seus tripulantes.